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Tradição e fé nas águas: Cortejo da Barquinha abre 2026 com bênçãos em Bom Jesus dos Pobres

Liderado por Mestra Rita, cortejo ancestral percorreu as ruas de Saubara no primeiro dia do ano para agradecer e pedir fartura aos pescadores neste novo ciclo.

Foto: Bira Freitas

O ano de 2026 começou em Bom Jesus dos Pobres, distrito de Saubara, sob o signo da gratidão e da renovação. No dia 1º de janeiro, as ruas da comunidade foram tomadas pelas cores, cânticos e pela energia ancestral do Cortejo da Barquinha de Bom Jesus. Mais do que uma festa de réveillon, o ato representa um ritual de proteção e identidade que atravessa gerações.

Sob o comando da Mestra Rita, guardiã desta tradição, o grupo convidou moradores e visitantes a celebrar a chegada do novo ciclo com cultura e união. O cortejo, realizado pela própria Barquinha de Bom Jesus, contou com o apoio fundamental de instituições que são pilares da cultura local: o Pontão de Cultura Chegança dos Marujos Fragata Brasileira e o Ponto de Cultura Mulheres do Samba de Roda.

Agradecimento às divindades do mar

A Barquinha não é apenas um folguedo; é a expressão da vida de quem depende da maré. A tradição tem suas raízes na história das esposas de pescadores e saveiristas de Saubara. Antigamente, essas mulheres se reuniam no último dia do ano para agradecer às divindades das águas por terem protegido suas famílias e garantido o sustento através da pesca.

O ritual carrega uma simbologia profunda de limpeza e esperança. Ao som de tambores e no ritmo do samba de roda, o grupo percorre as casas da comunidade recolhendo oferendas e pedidos. Essas intenções são depositadas em uma pequena embarcação — a barquinha.

Levando o velho, trazendo o novo

Segundo a tradição, no momento da virada ou no início do ano, a barquinha é entregue ao mar. O pedido é coletivo e carrega o desejo de toda a vila: que as águas levem embora as dificuldades e os momentos ruins do ano que passou e tragam, no retorno da maré, os bons fluidos, a paz e, principalmente, a fartura nas pescarias e nos negócios para o ano vindouro.

A realização do cortejo neste dia 1º de janeiro de 2026 reafirma a resistência cultural de Bom Jesus dos Pobres. Ao manter viva essa celebração, a comunidade não apenas preserva sua história, mas garante que a união do homem com o mar continue sendo celebrada e respeitada pelas futuras gerações.

Fotos: Bira freitas